quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PECADO E REDENÇÃO SOCIAL

Almir Andrade[1]

Iram Meira[2]

Ivanaldo Rocha [3]

Laureano Neto[4]

Zenaide Vieira[5]

“Todo pecado é cometido contra Deus, sua pessoa, sua vontade e sua lei. Mas, o mal praticado pelo homem atinge também o seu próximo.”[6]

Segundo Agostinho, o pecado é aversão a Deus e conversão às criaturas. O princípio do pecado é o egoísmo, ou seja, a tentativa de satisfazer as necessidades pessoais por meios próprios. O pecado constitui-se em uma ofensa direta ao homem, pois o despoja de seus bens de sua honra e de sua dignidade.

No Antigo Testamento quando o povo de Israel fixa-se na terra prometida, a prosperidade e as riquezas tornam-se novas tentações. Os pobres são objeto de exploração, a competição desumana se antepõe a compaixão para com os irmãos, desta forma o projeto traçado por Javé é corrompido pelo pecado.

Atualmente vivemos a angustia do mal presente em todas as estruturas sociais, a dimensão do pecado parece inundar tudo. A forma mais impressionante é a que se manifesta na sociedade e em suas estruturas, através da cumulação estrutural da injustiça dos homens passados e presentes e da consequente predisposição para o mal de todos os homens.

Em tempos hodiernos toda a história deve ser concebida como uma luta contra o pecado que se manifesta nas nossas consciências e nas nossas estruturas. Não é possível construir um mundo mais humano e fraternal sem a vitória sobre o pecado que tudo envenena, como os profetas do Antigo Testamento cada um de nós é convocados a ser voz de denuncia e agente de transformação desta cruel realidade.

Pecado social é reconhecer que o pecado de cada um repercute, de algum modo, sobre os outros. É social o pecado contra o amor do próximo. É igualmente social todo o pecado cometido contra a justiça, quer nas relações de pessoa a pessoa, quer nas da pessoa com a comunidade, quer, ainda, nas da comunidade com a pessoa. É social todo o pecado contra os direitos da pessoa humana, a começar pelo direito à vida, incluindo a do nascituro, ou contra a integridade física de alguém; todo o pecado contra a liberdade de outrem, especialmente contra a suprema liberdade de crer em Deus e de o adorar; todo o pecado contra a dignidade e a honra do próximo. É social todo o pecado contra o bem comum e contra as suas exigências, em toda a ampla esfera dos direitos e dos deveres dos cidadãos. Pode ser social tanto o pecado de comissão como o de omissão: da parte dos dirigentes políticos, econômicos e sindicais, por exemplo, que, embora podendo, não se empenhem com sabedoria no melhoramento ou na transformação da sociedade, segundo as exigências e as possibilidades do momento histórico; como também da parte dos trabalhadores, que faltem aos seus deveres de presença e de colaboração, para que as empresas possam continuar a proporcionar o bem-estar a eles próprios, as suas famílias e à inteira sociedade.

Redenção Social

A redenção social precisa de revolta, não uma revolta de forma irresponsável e tumultuada, mas uma revolta que traz uma nova maneira de perceber a realidade comunitária em que se está inserido, surge assim um valor social.

O grande achado teológico de Lutero girou em torno do significado do termo justiça em Rm 1.17. Lutero, em seus escritos, diferencia a justiça externa da justiça interna. A primeira refere-se a nossa conduta perante os outros homens, e pode ser vista externamente, já a segunda refere-se à perfeição e pureza do nosso coração. Justiça não refletida na prática não pode ser expressão da graça divina.

Quando se fala de Redenção Social na comunidade de fé, torna-se imprescindível a percepção da temática político- econômico social que permeia os textos bíblicos, bem como o papel da Igreja na transformação do mundo e na implantação do Reino de Deus aqui na terra. A Eklésia só pode ser Eklesia quando torna-se em agente transformador da realidade na qual está inserida. O projeto é de Deus, mas a construção é responsabilidade do homem.



[1] Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia – UFBA, Graduando em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste – STBNe.

[2] Graduando em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste – STBNe.

[3] Graduando em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste – STBNe.

[4] Graduando em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste – STBNe.

[5] Graduando em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste – STBNe.

[6] Declaração doutrinária da Convenção Batista Brasileira Art. 4º

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